Paula Tempelaars, arquiteta de relevância de marca para humanos e inteligências artificiais

Palestras

Estive no AI Talks Mackenzie: o que ensinei sobre IA para PMEs (e o que ninguém está falando)

Fui palestrante no AI Talks Mackenzie e trouxe os pontos principais sobre posicionamento de marca na era da IA — GEO, AEO e neurociência aplicada a PMEs.

Autora: Paula Tempelaars | Categoria: Palestras | Data: 14 de maio de 2026 | Leitura: 10 min

No dia 30 de abril, fui uma das palestrantes do AI Talks Mackenzie, evento organizado pela Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie. O tema desta edição: estratégias de IA para Pequenas e Médias Empresas.

Mas o que eu fui falar lá não era sobre ferramentas. Não era sobre automação de processos. Era sobre algo que a maioria das empresas ainda não percebeu que perdeu: o controle sobre como a IA enxerga a sua marca.

Saí do evento com a certeza de que essa conversa precisa chegar muito além das salas de universidade. Então trouxe os pontos principais para cá.

A IA agora é intermediária entre a sua marca e o seu cliente

Essa foi a virada de chave que propus no Mackenzie. A jornada do consumidor mudou de forma silenciosa e irreversível.

Antes, o cliente pesquisava no Google, clicava em links, comparava sites, lia avaliações. Você tinha algum controle sobre o que ele encontrava. Agora, uma parcela crescente dessa jornada passa por sistemas de IA: o ChatGPT que responde "qual a melhor agência de marketing para PMEs?", o Perplexity que recomenda fornecedores, o assistente de voz que sugere onde comprar.

Esses sistemas não pesquisam. Eles decidem. E a pergunta que toda empresa precisa se fazer é: quando a IA faz uma recomendação na minha categoria, o meu nome aparece?

A maioria das PMEs não sabe responder essa pergunta. E não saber é um problema, porque a IA já está respondendo por elas, com ou sem a participação delas.

Quais marcas a IA percebe, considera e recomenda?

Os sistemas de IA aprendem com o que existe na internet. Eles constroem uma espécie de reputação algorítmica de cada marca com base em três pilares:

  • Visibilidade: a marca aparece em fontes que a IA consulta? Artigos, portais, sites de autoridade?
  • Consistência: o que está escrito sobre essa marca é coerente, claro e confiável?
  • Autoridade: outros conteúdos relevantes referenciam essa marca como referência no assunto?

Se a resposta for "não sei" para qualquer um desses, há trabalho a fazer.

GEO e AEO: o novo vocabulário do posicionamento de marca

No evento, apresentei dois conceitos que ainda são novidade para a maioria das PMEs, mas que já são realidade para as marcas que estão na frente.

GEO (Generative Engine Optimization) é a prática de otimizar conteúdo e presença digital para que os motores de IA gerativos, como o ChatGPT, o Gemini e o Perplexity, encontrem, entendam e recomendem a sua marca. É o SEO da era da IA.

AEO (Answer Engine Optimization) vai um passo além: é a estratégia de posicionar a sua marca como a resposta para perguntas específicas que o seu cliente faz para sistemas de IA. Não basta aparecer. É preciso ser a resposta.

A diferença entre as duas:

GEOAEO
FocoSer encontrado pelos motores de IASer a resposta que a IA entrega
Como funcionaPresença, consistência e autoridade digitalConteúdo estruturado para responder perguntas específicas
ResultadoA IA conhece a sua marcaA IA recomenda a sua marca

Para uma PME, o caminho prático começa pelo GEO: construir uma presença digital que a IA consiga ler, entender e confiar. Depois, com conteúdo bem estruturado, o AEO transforma essa presença em recomendação ativa.

Neurociência e IA: o que o cérebro humano e os algoritmos têm em comum

Esse foi o ponto que mais gerou reação na plateia, e faz todo sentido: a neurociência e a inteligência artificial compartilham uma lógica parecida quando o assunto é memória de marca.

O cérebro humano não guarda todas as informações que recebe. Ele filtra, prioriza e consolida o que é relevante, confiável e repetido. Marcas que entram na memória de longo prazo são aquelas que aparecem com consistência, em contextos de confiança, com mensagens claras e coerentes.

Os sistemas de IA funcionam de forma análoga. Eles "aprendem" quais marcas são relevantes com base nos padrões que encontram nos dados: frequência, consistência, autoridade das fontes que as mencionam, clareza do posicionamento.

O que isso significa na prática: uma marca que comunica de forma inconsistente, com mensagens contraditórias em canais diferentes, confunde tanto o consumidor humano quanto o algoritmo. E uma marca que confunde o algoritmo simplesmente não é recomendada.

A confiança como ativo de marca na era algorítmica

Confiança sempre foi um ativo de marca. Mas agora ela tem uma camada nova: a confiança algorítmica.

Para ser recomendada por sistemas de IA, uma marca precisa construir sinais de confiança que esses sistemas consigam ler:

  • Presença em portais e publicações de autoridade
  • Conteúdo próprio claro, consistente e especializado
  • Menções e referências de terceiros confiáveis
  • Histórico de posicionamento estável ao longo do tempo

Isso não é diferente do que a neurociência já ensina sobre como o cérebro humano decide em quem confiar. A novidade é que agora a marca precisa construir essa confiança para dois públicos ao mesmo tempo: pessoas e sistemas.

O que fica depois de uma noite como essa

O AI Talks Mackenzie reuniu empresários, acadêmicos, desenvolvedores e gestores na mesma sala tentando entender a mesma coisa. E o que ficou claro é que a pergunta que mais paralisa as PMEs não é "como usar IA". É uma pergunta anterior: "a IA sabe que eu existo?"

Essa é a questão urgente. Não amanhã. Agora.

Enquanto você lê esse texto, seus concorrentes estão sendo avaliados pelos sistemas de IA que seus clientes usam para tomar decisões. A pergunta não é se a sua marca vai precisar de estratégia de GEO e AEO. É quando você vai começar.

Se quiser continuar essa conversa ou entender como aplicar isso na sua empresa, é só me chamar.

Leia a cobertura completa do evento no portal do Mackenzie: AI Talks aborda estratégias de Inteligência Artificial para PMEs.

Paula Tempelaars é especialista em neurociência da decisão e neuromarketing aplicados a posicionamento de marca. Criadora da Arquitetura de Relevância de Marcas, fundadora da NeuroWits e palestrante em eventos como NVIDIA AI Conference, RD Summit, Futurecom e Conarec.